Vamos nos tratar por tu, sim? Obrigado!


O dia começava calmo e perguntaram-me se podia cortar o cabelo, eu respondi que sim, dê-me cinco minutos para finalizar e já o atendo, obrigado.

Quando começo uma conversa apresento-me num gesto estendido e digo o meu nome, questão de respeito e cordialidade, aliás todos tem o seu modelo de começar a conversa no barbeiro.

Mas o você vem sempre ao de cima, numa questão de respeito pelas pessoas mais velhas, pelos valores que me ensinaram. 
Fica difícil sair deste registo porque hoje é o Doutor isto, o Engenheiro aquilo e deixámos os nomes próprios de lado.

Mas este dia seria diferente, o cliente pede-me para não o tratar por você, “sabe que ao tratar-me por você faz me parecer mais velho”, entendi e passamos um bom momento de conversa.

 Entendi que a proximidade das pessoas está na forma do tratamento mais comum.
Sempre fui irreverente e quis tratar todos de igual forma, mas já tive dissabores numa antiga profissão quando tratei uma pessoa por senhor e ele fez questão de dizer que era doutor. Mesmo assim trato toda a gente por tu.

Alguns estrangeiros (Suíços, Ingleses) que por aqui aparecem contam-me histórias e tenho aprendido coisas extraordinárias.
Sabem que os enfermeiros, doutores e auxiliares tratam-se pelo nome próprio? Trabalham pelo bem comum a saúde, não há um tratamento diferenciado e o ambiente é pacífico.
E porque haverá um tratamento específico em Portugal?  

Palavra que eu tenho feito um esforço por dizer nome próprios, vamos nos tratar por tu sempre, sim? obrigado!

Em jeito de terminar queria vos partilhar quantas formas podem indagar o vosso Barbeiro para cortar o cabelo, algumas são bem divertidas:
Cortar o casco, aparar as pontas, dar um jeito, despontar, passar máquina, raspar a cabeça, cuidar do capilar, cortar a lã, cortar o pêlo, tosquia, cortar a trunfa, ir ao baeta, cortar a gadelha. 





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